Quanto custa de verdade uma maquininha no celular?

O percentual que aparece no anúncio quase nunca é o que você paga no fim do mês. Esta página separa o custo em blocos, mostra onde a conta costuma escapar — antecipação e parcelado — e faz três simulações com os números que temos documentados.

Redação: SoftPOS24 Payment ResearchAtualizado em: 15.08.2026Base de dados: 121 empresas, 14 critérios
Resposta rápida

As menores taxas divulgadas no Brasil vão de 0,57% (Ton) a 0,88% (PagBank), enquanto o Mercado Pago publica 2,99%. Todas essas empresas anunciam mensalidade zero. Só que esse número é o piso — quase sempre o do débito. O que decide o custo real são quatro pontos: a taxa do crédito à vista e do parcelado, o prazo de recebimento, o custo da antecipação e a existência de fidelidade no contrato.

Os cinco blocos de custo

1. Não existe "a taxa" — existem três

Débito, crédito à vista e crédito parcelado são cobrados de forma diferente, e a diferença entre eles é maior do que a diferença entre duas empresas concorrentes. O número que aparece na propaganda, e o que registramos no banco de dados, é o menor de todos — normalmente o do débito. Antes de comparar duas ofertas, pegue a tabela completa das três taxas de cada uma: comparar o débito de uma com o parcelado de outra não diz nada.

2. Prazo de recebimento: o custo que não aparece como taxa

No mercado brasileiro, o débito costuma cair em D+1 e o crédito à vista por volta de D+30, com o parcelado caindo parcela por parcela. Isso não é uma taxa, mas é dinheiro seu parado. Para quem paga fornecedor à vista, um prazo mais curto pode valer mais do que meio ponto percentual. Não conseguimos registrar o prazo de cada empresa de forma comparável, então esse é um número para confirmar direto no contrato.

3. Antecipação de recebíveis — onde a conta realmente muda

Antecipar é aceitar receber menos hoje em vez do valor cheio lá na frente. Muita oferta anuncia uma taxa de venda baixa e trabalha com uma taxa de antecipação alta, ou já entrega o plano com a antecipação automática ligada. Some sempre os dois números: uma taxa de venda de 0,57% com antecipação cara pode sair mais cara do que uma taxa de venda maior sem antecipação. Pergunte se dá para desligar a antecipação automática.

4. Mensalidade, aluguel e fidelidade

As empresas brasileiras que comparamos anunciam mensalidade zero para a solução no celular — faz sentido, já que não há aparelho para alugar. O cuidado é outro: descontos de taxa atrelados a tempo de contrato, a volume mínimo ou ao uso da conta digital da própria empresa. Um desconto que some se você reduzir o faturamento não é preço, é condição. Leia a cláusula de fidelidade e a de reajuste antes de trocar de fornecedor.

5. Pix na mesma tela — e por que ele empurra a taxa do cartão para baixo

O Pix cai na hora e custa uma fração do cartão, e é essa concorrência que vem pressionando as taxas de cartão no Brasil. Ainda assim, a maquininha continua fazendo sentido: parcelamento, cartão corporativo e cliente estrangeiro com Visa ou Mastercard não são atendidos pelo Pix. Na prática, a decisão certa costuma ser oferecer os dois — e usar o Pix como argumento na hora de renegociar a taxa do cartão.

Três contas de exemplo

Modelo ilustrativo. Consideramos apenas vendas no débito, sem antecipação, sem mensalidade e sem taxa fixa por venda, usando três percentuais que estão documentados no nosso banco: 0,57% (Ton), 0,88% (PagBank) e 2,99% (Mercado Pago). No crédito e no parcelado os valores são maiores.

Vendas no cartão por mêsa 0,57%a 0,88%a 2,99%
R$ 2.000R$ 11,40R$ 17,60R$ 59,80
R$ 8.000R$ 45,60R$ 70,40R$ 239,20
R$ 30.000R$ 171,00R$ 264,00R$ 897,00
Regra prática: a diferença entre o menor e o maior percentual documentado é de 2,42 pontos — em R$ 8.000 por mês, isso são R$ 193,60. É dinheiro real, mas costuma ser menor do que o que se perde em antecipação quando ela vem ligada por padrão. Faça a conta com a sua divisão real entre débito, crédito à vista e parcelado antes de trocar de fornecedor por causa do número do anúncio.

As menores taxas divulgadas no Brasil

ComparativoTaxa por transação MensalidadeComparativo
Ton (Stone Co.)a partir de 0,57%sem mensalidadeAmérica Latina
InfinitePay (CloudWalk)a partir de 0,75%sem mensalidadeAmérica Latina
SumUp Brasila partir de 0,80%sem mensalidadeAmérica Latina (mais UE e EUA)
PagBank (PagSeguro)a partir de 0,88%sem mensalidadeAmérica Latina
Mercado Pago (Mercado Libre)a partir de 2,99%sem mensalidadeAmérica Latina

Só entram empresas com percentual publicado — das 10 listadas no Brasil, 5 não divulgam preço e aparecem como "sob consulta". Os valores não são 1:1 comparáveis: cada um se refere à menor faixa anunciada pela empresa, com condições próprias de bandeira, prazo e volume. Detalhes no perfil de cada uma.

Comparar as 10 opções disponíveis no Brasil →

Perguntas frequentes sobre custo

Existe maquininha no celular realmente sem custo?

O aplicativo e o cadastro costumam ser gratuitos, e todas as empresas brasileiras que comparamos anunciam mensalidade zero para a solução no celular. O dinheiro delas vem do percentual cobrado em cada venda e, muitas vezes, da antecipação dos recebíveis. Ou seja: existe sem custo fixo, não existe sem custo — e quanto menor o seu ticket médio, mais o percentual pesa.

Sai mais barato do que uma maquininha própria?

Para quem vende pouco, quase sempre sim, porque não há aluguel nem aparelho para comprar. Com volume alto e fila no balcão, a maquininha dedicada ganha em velocidade e o percentual negociado costuma cair — nesse ponto a conta deixa de ser só de custo por venda.

Por que as taxas no Brasil são tão menores que na Europa?

O mercado brasileiro de adquirência é muito mais disputado e as regras de intercâmbio são diferentes das europeias. Por isso 0,57% aqui e 0,89% na Alemanha não descrevem a mesma coisa, e comparar os dois números lado a lado não ajuda ninguém a decidir. Também entra aqui o parcelado, que não existe na Europa. Explicamos essa limitação na metodologia.

Ao estornar uma venda, a taxa volta?

Em muitos contratos, não: a taxa da venda original fica retida mesmo depois do estorno, e em alguns casos o valor estornado sai do seu saldo antes de o cliente ser creditado. Esse detalhe quase nunca está na página de propaganda, e sim no anexo de tarifas. Vale pedir essa resposta por escrito antes de assinar.

Vale a pena aceitar parcelado sem juros?

Depende do seu ticket. O parcelado tem a maior taxa das três e o dinheiro entra ao longo de meses, então ele aumenta a venda e aperta o caixa ao mesmo tempo. Simule com o número real de parcelas que você costuma oferecer, não com a taxa de vitrine.